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NOTÍCIAS DO EVENTO

RH foi destaque no VIII Debaguete
29/05/2007 14:39

A carência de mão-de-obra qualificada no setor de TI, suas causas e possíveis soluções foram debatidas nesta terça-feira, 29, no VIII Debaguete - Observatório Crítico da TI Sul. O evento, promovido pelo Baguete Diário na sede do Seprorgs, em Porto Alegre, contou com os debatedores Andreia Teixeira, diretora da Staff RH; Marcos Morais, consultor da Suryatech; Reges Bronzatti, diretor do Grupo Processor; e Heitor Hendges, CIO da Kley Hertz.

"Falta nas empresas uma política de RH que se enquadre aos profissionais de TI", destacou Andreia. Segundo a diretora, as companhias dificilmente investem em ações específicas para estes colaboradores, envolvendo-os em um escopo generalizado, ao qual nem sempre se adaptam.

Salários
Os debatedores também abordaram a questão salarial. "Hoje, devido à grande demanda do mercado por profissionais de .Net e Java, ficou quase impossível sustentar os salários destes especialistas dentro de uma empresa", afirmou Hendges. "Chega a haver uma prostituição do nicho: os colaboradores migram de uma organização para outra por R$ 200, R$ 300 a mais", completou.

"Pode até ser, mas não é o salário que segura um profissional de TI em uma empresa, atualmente", considerou Andréia. Para ela, a oferta de benefícios e de um bom ambiente de trabalho supera a renda mensal. "O funcionário fica onde se sente mais valorizado, à vontade para trabalhar", assegurou.

Qualificação começa no ensino médio
"Se quisermos transformar o RS em um pólo tecnológico, teremos de concentrar nossas atenções no segundo grau, e não nas universidades", ponderou Reges Bronzatti. Para ele, uma das causas mais significativas da escassez de mão-de-obra na TI brasileira é a falta de interesse dos jovens pelo segmento.

"Na década de 80 havia muita propaganda sobre a informática como carreira. Hoje, não só não há isso, como também existe uma banalização da área, que é resumida a games, internet e Second Life. Sem o ingresso de gente nos cursos de TI, não há força de trabalho. Temos que buscar os profissionais, então, lá no ensino médio, direcionando-os para este setor", concluiu.

Oportunidades
Bronzatti, que também é vice-presidente da Assespro-RS, ressaltou a importância de iniciativas que contribuam para a formação dos novos profissionais. "É fundamental desenvolver programas de captação de mão-de-obra. A Associação, em parceria com empresas e a SMDHSU, mantém um projeto de capacitação em TI em três escolas estaduais: Protásio Alves e Dom João Becker, em Porto Alegre, e Solon Tavares, em Guaíba", contou. "No primeiro processo seletivo que abrimos, houve uma média de 27 candidatos por vaga", salientou.

A Unisinos também mantém um projeto neste sentido: uma adaptação para a TI do Escola de Fábrica, tradicional mecanismo de formação de colaboradores da indústria. A iniciativa reúne, além da universidade, 12 empresas do Pólo de Informática de São Leopoldo e a prefeitura da cidade. Serão instruídos, inicialmente, 19 jovens de escolas públicas, que receberão 600 horas de treinamento, incluindo reforço em português, matemática, inglês, Java e VB.NET. Cada um receberá uma bolsa de R$ 150, paga pelo governo federal.

Lideranças e comunicação
Mas nem só pela falta de conhecimento técnico se descabelam os recrutadores das empresas de TI. Muito antes pelo contrário: o que falta aos profissionais da área é quase sempre um "algo a mais", como a facilidade para relacionamento pessoal, comunicação e habilidade para liderar equipes.

"Trata-se de um pessoal muito bem treinado tecnicamente, mas que tem muita dificuldade de se comunicar. Para estes profissionais é fácil determinar as necessidades de um projeto, mas é difícil elaborar o texto, por exemplo", avaliou Marcos Morais. "Há, nas empresas, a cultura do MSN - ninguém mais se fala, todo mundo só tecla. É uma ferramenta imprescindível, sim, mas tem que haver mais contato direto, telefônico ou pessoal, para estimular a comunicação", complementou.

Para Reges Bronzatti, outra carência dos trabalhadores do setor é a aptidão para liderar. "Há uma falta de lideranças na TI, e aí vai uma crítica às universidades, que, além da formação técnica, deveriam instruir o aluno em quesitos administrativos e de gestão", afirmou.

PMI
Porém, a TI não chega a ser um deserto em termos de liderança, segundo Heitor Hendges. "O setor inclusive contribui para esta área, como se pode exemplificar pelo PMI, que é um modelo nascido na TI e aplicado à gestão de outros departamentos diversos", ponderou.

Terceirização
Como engajar funcionários terceirizados? A pergunta também esteve em discussão no VIII Debaguete. "Na Kley Hertz, trabalhamos com terceiros de três empresas diferentes. Para integra-los ao nosso trabalho, fazemos eventos motivacionais dos quais participam", destacou Hendges. "Não podemos deixar essas pessoas num limbo. Na Hertz, todo mundo veste a camiseta", garantiu o CIO.

Para Andreia Teixeira, a tarefa de engajar os terceirizados cabe tanto à empresa que os aloca quanto à que os contrata. "A consultoria pode promover eventos de integração deste pessoal. Porém, os gestores da companhia cliente também precisam apoiar estas atividades, fomentando-as e liberando os profissionais para participar", afirmou a diretora.

Público
A oitava edição do Debaguete, patrocinada pela Plugin, registrou o comparecimento de um dos maiores públicos já presentes ao evento. Foram 82 inscritos, com a participação de visitantes de cidades como Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Pelotas. Na maioria, participaram nesta terça-feira, 29, profissionais de Recursos Humanos, que avaliaram o debate como "acima da expectativa".

FOTOS DO EVENTO
Andreia Teixeira.
 
Heitor Hendges.
   
 
Marcos Morais.
 
Reges Bronzatti.
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